Um professor que de Homem tem pouco.
Português, 7º ano, Escola Aurélia de Sousa. O senhor já me tinha despertado a atenção ao dizer na turma que o Latim não se fala. Só se escreve. Agora realizou um trabalho na aula em torno de um monólogo de uma esferovite. Uma semana depois a uma aluna devolve o trabalho, que classifica de bom, e pede outra versão. Explicação: conteúdo denso e difícil pela temática abordada. Informa a aluna que terá muitos anos para pensar no assunto abordado. A aluna só tem 12 anos e, pela cabeça do dito, não deverá ter opinião sobre o País, a Imigração ou a política de Sócrates. Por acaso o texto devolvido não traz nenhuma correcção, risco, nota ou rubrica do professor. Legalmente, logo, não existe, claro. Percebo o mal estar, o incómodo do senhor. Azar o da aluna não gostar dos morangos com açúcar, provávelmente. E de ser incoveniente, aqui e ali, do alto do seu atrevimennto natural dos 12 anos. Lamento que o professor não tenha aceite o texto, bem escrito. Lamento, que de forma cobarde, tivesse fugido ao confronto de ideais com a aluna, ao debate, ao questionar, ao rebater de opiniões e se escudasse na ” censura democrática “. Que a aluna, com 12 anos, tivesse de aprender, tão cedo, o que é intimidação. O condicionamento da liberdade de expressão. Que tenha percebido que a Liberdade se faz de silêncios, medos e omissões. Ter ficado a saber que é nova demais para pensar. Ou falar sobre o seu País. Mas saber que já tem idade, 12 anos, para ver no dia anterior a sua aula de Matemática interrompida por 20 minutos para responder a um inquérito de alunos mais velhos sobre os seus hábitos e comportamentos sexuais. Professores destes merecem a Tia Milú e não há manif que lhes valha. Afinal estamos no ” domínio do grotesco ” onde pontificam os ” ensinantes ” ( Helena Matos ) do pedagoguês e começa a fazer todo o sentido abandonar a Escola Pública e procurar no Privado quem saiba e queira ensinar. Afinal, aí estão os rankings a tirar dúvidas se ainda as houvesse.

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