Em 7 mortos, esta noite, seis eram crianças, normal, parece, que anormal sou eu por ainda me arrepiar com notícias destas pela manhã.

sandy_skoglund1

Verdade que também mereço, pedante pretencioso que, antes de ler a prosa indígena, teimo em  passar os olhos no Liberation ou na Spiegel onde, por vias das dúvidas, sempre existem outros critérios. Ou, simplesmente, pura & simplesmente, critérios. Nada de novo num País onde de novo pouco há a não ser a constatação cada vez mais clara do que tristemente somos. ( Apesar das telenovelas muitas, escritores de génio e artistas mil ), Gil bem esgalhado nas análises que vem elaborando faz tempo, cada vez mais preciso e acutilante, ( embora muito do assinalado, por outros ângulos, já o fez Eduardo Lourenço ), repescado num blogue que se consegue ler e frequentar, o do Guinote,  e nem por acaso o elogio aqui, ao Guinote, numa blogo que se desde sempre pouco nos motivou ainda consegue surpreender quando vemos os indicadores de audiências e as estratégias operativas, do pilha temas no alheio ao uso de lebres cuja única função é de forma vincadamente rasca fazer baixar o nível, nivelar a discussão a índices de grau zero da cretinice, e fazer subir caixas de comentários. Não direi certamente nenhuma blasfémia mas para a élite tuga, ou que assim se pretende que de élites pouco vejo, pensar ainda será coisa distante e continua a ser confundido com gritaria, insulto & outros et&’s e tais. A inteligência será pouca, o substracto ainda menor, a impunidade  digna da ignorância,  copia-se umas modas e tiques e poses dos camones, sai uma pitada liberal cosmopolita que não esconde a origem saloia e salazarenta, e viva qualquer coisa que ainda nem entendi o que é mas que certamente tem de rimar com um basbaque fascínio pela coisa americana, sociedade onde não duravam um par de horas porque por lá não é rei quem um olho tem, e já agora Israel, baluarte de uma confusa civilização ocidental que faz da implosão identitária da Europa a sua pedra de toque. Adiante, portanto que de complexados, à esquerda e à direita, vive o Portugal dos frustados que os bons só o são depois de mortos, e se elegemos Salazar não terá sido acaso, como o não é certamente esta escolha dos russos. Já sei que não gostam, e compreende-se falando de terra de hipócritas, arrivistas e cobardes, nós, exactamente, já sei que o fulano farta-se de mandar bitaites tontos, mas que topa bem o cenário envolvente, topa. Como conhece bem as gentes e as coisas cá do burgo. Melhor só as novelas de cordel de que se alimenta o clima politiqueiro nacional, de folhetim em folhetim, onde o acessório mata sempre o essencial, nem que seja indirectamente alimentado por uma das outras poucas vozes sensatas que restam dos velhos do Restelo. Importante, importante é haver dinheiro para os saldos, o Benfica, dizer mal por dizer mesmo sabendo que mal está mas também quem cala consente e o pagode rosna entre dentes mas morde pouco, pois precisamente, umas luzes de pretensa modernidade encardida e as festas de fim de ano. Assim como assim isto morreu lá para o tempo de D. Manuel e ainda chegou aqui mesmo pensando convictamente ser Holderlin ou Fausto nome de hamburger ou de um cantor pimba que por aí anda, no limite o velho Heraclito algum brasileiro do pontapé na bola. A rastejar, coisa digna de vermes, mas chegou e parece que para a maioria vai chegando.  A ser assim, sigamos, cantando e rindo. Nem mais. Neste cenário de pirolitos & pinóquios, Cavaco insiste e bem, no mínimo por respeito a uma Constituição que parece só ser intocável quando convem embora, por mim, lhes desse, aos Açores e à Madeira, a devida indepedência e que fossem dar banho cão gastando o dinheiro deles e não o nosso, que é pouco.  O resto confirma-se. A Crise existe apesar de não parecer, lá fora pelo menos, e está para dar e durar. Estes são números para um massacre e não meras bagatelas para os que, parece, só agora descobriram o génio de Celine. ( Imagem, Sandy Skoglund, com a devida vénia à Lilis ).

~ por Acção Directa em Dezembro 29, 2008.

Uma Resposta to “Em 7 mortos, esta noite, seis eram crianças, normal, parece, que anormal sou eu por ainda me arrepiar com notícias destas pela manhã.”

  1. boa escolha… é mais apropriada ao estado actual do mundo…
    beijos e…até logo

Deixar uma Resposta