Adeus Publico.

Para um leitor da primeira hora, um daqueles para quem o café da manhã só rima com um cigarro e o folhear do jornal esta é uma decisão dolorosa. Um baque na alma & no coração do nosso Spartakus. É certo que o divórcio estava pré anunciado mas, com mais ou menos zangas & amuos a coisa ia-se aguentando. Agora é de vez. Já não é só ver o nosso jornal diário de tantos anos ter-se tornado numa má folha de propaganda bloquista. Até a contradição e a diferença, o confronto de ideias e opiniões são salutares e necessários, assim haja qualidade, rigor, isenção, pluralismo. Tudo isso acabou há muito e, acreditem, não somos os únicos a lamber feridas. O Publico foi já um belíssimo jornal bem escrito por gente excelente. Agora, acabou. Claro que há a Crise, o contar dos tostões, e entre euro e euro optamos pelo i onde, por acaso, até vamos reencontrar a saneada Laurinda Alves. E a solidez que já foi apanágio do Publico. Sabemos, os amores morrem e a vida continua. Acabou-se, pronto, ponto final. No caso, hoje, o mal estar extravasou com a crónica de um tal Paulo Mendes Pinto onde até o respeito pela tradição arquitectónica dos centros históricos das cidades tem a ver com xenofobia. Mas, bem pior, é ler um Editorial do Director onde de forma clara se diz, por palavras mais corteses, o que de há muito dizemos de Rui Tavares: um aldrabão político, um mentiroso demagogo mas que nem por ser tudo isso e um péssimo escriba perde o direito ao tempo de antena. Achamos justo se o Publico deixar de pingar os nossos links para esta ou aquela novidade. Nada que altere nada. Só já iremos comprar o jornal às sextas feiras e aos sábados. Não por ele. Mas por Pulido Valente, António Barreto, Santana Castilho, Pacheco Pereira ou Helena Matos. Eduardo Cintra Torres. Bem mereciam, eles como nós, um espaço mais digno.

~ por Acção Directa em Junho 29, 2009.

2 Respostas to “Adeus Publico.”

  1. Pois. Quando as coisas já estão pré-anunciadas não há nada a fazer. Larguem o velho amor e comecem outro. É assim a vida.

    Boa semana para si e pro Kolectivo.

  2. Os jornais estão ao serviço do sistema e capitalismo de estado é o estádio final do .capitalismo

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