Adeus Publico.
Para um leitor da primeira hora, um daqueles para quem o café da manhã só rima com um cigarro e o folhear do jornal esta é uma decisão dolorosa. Um baque na alma & no coração do nosso Spartakus. É certo que o divórcio estava pré anunciado mas, com mais ou menos zangas & amuos a coisa ia-se aguentando. Agora é de vez. Já não é só ver o nosso jornal diário de tantos anos ter-se tornado numa má folha de propaganda bloquista. Até a contradição e a diferença, o confronto de ideias e opiniões são salutares e necessários, assim haja qualidade, rigor, isenção, pluralismo. Tudo isso acabou há muito e, acreditem, não somos os únicos a lamber feridas. O Publico foi já um belíssimo jornal bem escrito por gente excelente. Agora, acabou. Claro que há a Crise, o contar dos tostões, e entre euro e euro optamos pelo i onde, por acaso, até vamos reencontrar a saneada Laurinda Alves. E a solidez que já foi apanágio do Publico. Sabemos, os amores morrem e a vida continua. Acabou-se, pronto, ponto final. No caso, hoje, o mal estar extravasou com a crónica de um tal Paulo Mendes Pinto onde até o respeito pela tradição arquitectónica dos centros históricos das cidades tem a ver com xenofobia. Mas, bem pior, é ler um Editorial do Director onde de forma clara se diz, por palavras mais corteses, o que de há muito dizemos de Rui Tavares: um aldrabão político, um mentiroso demagogo mas que nem por ser tudo isso e um péssimo escriba perde o direito ao tempo de antena. Achamos justo se o Publico deixar de pingar os nossos links para esta ou aquela novidade. Nada que altere nada. Só já iremos comprar o jornal às sextas feiras e aos sábados. Não por ele. Mas por Pulido Valente, António Barreto, Santana Castilho, Pacheco Pereira ou Helena Matos. Eduardo Cintra Torres. Bem mereciam, eles como nós, um espaço mais digno.

Pois. Quando as coisas já estão pré-anunciadas não há nada a fazer. Larguem o velho amor e comecem outro. É assim a vida.
Boa semana para si e pro Kolectivo.
Os jornais estão ao serviço do sistema e capitalismo de estado é o estádio final do .capitalismo